terça-feira, 8 de junho de 2010

Sensibilidade

(Dalí - Geopoliticus Child Watching the Birth of the New Man, 1943)
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Para além das normalmente citadas cinco potencialidades dos sentidos humanos, a sensibilidade. A sensibilidade como próprio sentido da vida. Sensibilidade é coração, é pulsão. É racional na irracionalidade. É o dito no não dito. É olfativa, mas não se reduz ao olfato. Remonta lembranças, projeções, sonhos perdidos, sonhos reencontrados, sonhos futuros, sonhos ardidos. É o brilho do olhar que não brota da visão, senão da intensidade da vida vivida. É arrepio. Não de frio. Não de calor. Arrepio de um corpo em desejo ardente submerso em gelo. É o tudo e o nada. É o fecundo e o vazio. É audição que não se traduz em língua humana. É supra-humana. É polifonia de significações. É uma ausência de tempo. É voar sem asas e andar sem sentir o chão sob os pés. Logo se percebe que os olhos nada vêem. São apenas instrumentos a fazer brotar os sentimentos. Logo se entende que não se sente com as mãos, sente-se com o corpo inteiro. O perfume tampouco é percebido pelo olfato. É marco do infinito que se faz presente, que encanta e que transporta. O paladar não é fome, é desejo que tão logo saciado volta a emergir. Sensibilidade é emoção, é desejo, é paixão.


domingo, 6 de junho de 2010

(Arte de o maravilhoso mundo de Kush)
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Ser a mudaça que queremos ver no mundo acontecer
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Crer no querer
é insuficiente
só atos concretizam sonhos
o importante é empreender
para um ser-para-si ser
e livremente escolher
a busca na qual se irá viver
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(Ainda em Santa Maria..)

sábado, 5 de junho de 2010


(Arte de Vladmir Kush)
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Discurso de alienação
opera a castração,
imobiliza o sonho,
a imaginação.
Faz crer que nada é possível,
intransponível.
Para além da razão,
da falsa racionalização,
a sensibilidade,
ato de amor pela humanidade.
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Postando de Santa Maria....ainda..

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Rumo ao novo

(Arte de Vladmir Kush)
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Rumo ao desconhecido,
o partido posto a ser lembrado,
nunca será esquecido;
pode encontrar sentido,
só camuflado,
aí então pode até ser adorado.
Rumo ao novo,
nunca antes proposto;
resta aceitar com a clareza da candura,
a busca incerta da aventura.
Tal como em Veneza,
não na máscara se encontra a beleza.
Sem sonho,
se é enfadonho,
mas a imagem não está no personagem.
A pureza é tão somente a certeza
de ser no mundo
e guiado por paixões
empreender as devidas ações.
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Obs. Ainda em Santa Maria: EGED - Educação jurídica pela ABEDI - palestra de Jânia Saldanha mais do que inspiradora, evocando a sensibilidade humana.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Escrever, respirar, cantar, dançar...enfim, viver!

(Vladmir Kush - Daisy Games, oil on canvas)



"Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso respondê-la com a maior facilidade.

Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver.

Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política.

Tive de criar o meu, como se criasse um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse.

Esta é a razão de toda obra de arte.

Só o artista sabe que o mundo é uma criação subjetiva, que é preciso escolher, selecionar.

A obra é a concretização, a encarnação do seu mundo interior.

Ele espera impor sua visão pessoal, partilhá-la com os outros.

Se não atinge esta última finalidade, o verdadeiro artista persiste assim mesmo.

Os poucos momentos de comunhão com o mundo valem esse sofrimento, pois finalmente esse mundo foi criado para os outros como um legado, como um dom destinado a eles.

Também escrevemos para aprofundar o nosso conhecimento de vida.

Para atrair, encantar e consolar.

Escrevemos para acalentar nossos amantes.

Para degustar em dobro a vida: no momento preciso e retrospectivamente, na sua lembrança. Escrevemos, como Proust, para tornar as coisas eternas e para nos convencermos de que elas o são.

Para podermos transcender nossa vida e alcançarmos o que existe além dela.

Escrevemos para aprender a falar com os outros, para testemunhar nossa viagem ao labirinto.

Para abrir, expandir nosso mundo quando nos sentimos sufocados, oprimidos ou abandonados.

Escrevemos como os pássaros cantam, como os primitivos dançam seus rituais. Se você não respira quando escreve, não grita, não canta, então não escreva porque sua literatura será inútil.

Quando não escrevo, meu universo se reduz; sinto-me numa prisão.

Perco minha chama, minhas cores.

Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa de tempestade.

É a isto que eu chamo de respirar."


(Anaïs Nin)

No espelho


Adiv ad sojesed so moc raçnad oreuq; aditelferri, adacifirtep é megami a olhepse no.

domingo, 30 de maio de 2010

(pintura de Ismael Nery)



Chove chuva

de novo o novo

que vem e lava

a voz d'um povo


E o passado a ser sempre relembrado

vivido para não ser esquecido

não é dever

só para não perecer

O verde retumbava

no pano que flamejava

e o sangue que passou

com o tempo amarelou


Sob o signo da ordem se amou

vigiou

puniu tudo o que partiu

exilou

no outro

em si

as idéias

tudo o que se desejou

um novo lar ainda não encontrou





(28.05 - açores)








sexta-feira, 28 de maio de 2010

Qual o limite dos meus sonhos?

(Pintura de Rafal Olbinski)


Realidade e ilusão, tudo se mistura nos desejos do coração. Mas não se pode voar com os pés no chão. Qual o limite para sonhar?

quinta-feira, 27 de maio de 2010

EMBEBEDAI-VOS




É preciso estar-se, sempre, bêbado.

Tudo está lá, eis a única questão.

Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas.

Mas de quê?

De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa.

Mas embebedai-vos.

E se, às vezes, sobre os degraus de um palácio, sobre a grama verde de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, vós vos acordastes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que passa, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, vos responderão: "É hora de embebedar-vos!

Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embebedai-vos, embebedai-vos sem parar!

De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa.


(Charles Baudelaire - Pequenos poemas em prosa)



"Prefere não responder e logo a afasta de sua mente, como se obedecesse a um reflexo de autodefesa, sem querer pensar a que extremos a levaria tal eventualidade.

Além disso, a resposta a obrigaria a fazer uma nova pergunta: 'Por acaso já me apaixonei alguma vez na vida?'.

Uma coisa é amar o rajá, e outra é ter se apaixonado por ele.

E sabe que no seu caso não houve amor à primeira vista.

Nunca conhecera essa paixão capaz de sacudir os alicerces da pessoa, essa sensação de loucura que as canções andaluzas tão bem descrevem...

É possível viver uma vida inteira sem ser triturado pelo amor, nem que seja uma vez?

Sem se deixar arrastar pelo arrebatamento?"


(Paixão Índia - Javier Moro)