Deixei partir uma das últimas pessoas que acreditou em amor verdadeiro.
Talvez porque eu não soube sentir a verdade, de verdade. A ausência se
sente quando há falta, mas não quando tudo é pleno. Foi Neruda quem
disse que está proibido a não sorrir aos problemas, a não lutar pelo que
quero, a abandonar tudo por medo e a não converter em realidade os meus
sonhos. Foi com medo da morte que me apeguei à vida e percebi que só
viverei esta vida uma única vez. Foi desse apego mortal à vida que
decidi que ela apenas possui dois caminhos. Ou ela caminha, dia após
dia, para o seu fim. Ou ela caminha, dia após dia, tornando-se plena.
Decidi então acordar todos os dias, de hoje em diante, e escolher ser
feliz. E assim viverei todos os meus lados e minhas múltiplas
personalidades. Opto por cultivar meu lado mais sombrio, a chorar minhas
angústias e a sentir meu luto. Opto por manter em mim toda a maldade
que possuo, porque só meu lado sombrio me permite conhecer o meu lado
claro e leve. Opto por sentir em mim toda a bondade que existe no mundo.
Decido acordar todos os dias e lutar pelos meus sonhos, até que eles se
tornem realidade. Opto por não cultivar expectativas, jamais, mas a
nunca perder a esperança. Opto por me apaixonar, quantas vezes forem
necessárias, para viver com frio na barriga e sentir uma trava na
garganta, ainda que eu venha a me apaixonar sempre pela mesma pessoa.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
quarta-feira, 21 de março de 2012
Cedendo espaço...
Hoje vi um menino olhando atentamente o sol brilhar da sua janela. Seus olhos pareciam longe. O pensamento voava e nele repousava uma sensação de alívio, diante daquele maravilhoso dia que anunciou o fim da tempestade passada. O canto dos pássaros se tornou trilha daquela manhã. A rua ainda deserta era palco de mudanças e abria espaço para os transeuntes que aos poucos apareciam. Nada era em vão. Mas também não fazia sentido. A tempestade era o que unia as pessoas daquela cidadela. O sol raiou. E agora? Agora é preciso recomeçar falou o menino a dois senhores sentados à sarjeta. A noite chegou e todos, ainda na rua, pareciam perdidos. Na manhã seguinte, novamente o sol. E ele durou por ainda oito meses radiante e muito quente. Não bastou. Ainda que inconscientemente, todos aguardavam ansiosos por uma nova tempestade que pusesse fim àquela angustia da distância. E finalmente a tempestade chegou, fechando portas, trazendo poeira, arrebentado os lares, com a força mais pura da natureza. Só assim pode-se ter certeza de que os tempos de sol também poderiam ser proveitosos e que havia uma intensa contradição na vida de cada um daqueles que ja não mais habitavam o lugar dos pensamentos.
Por BSB.
18.03.2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
o que ficou entre o passado e o presente

O livro permaneceu intocado por alguns minutos
e Elle percebeu-se acordada
novamente de volta ao presente
sabe-se lá aonde estava.
Foi como se o próprio livro tivesse criado uma história a parte
e sem querer, Elle havia voltado ao passado.
Lembrou daquela época na qual viveu o mesmo presente.
E eu lhe perguntei: mas você e esse passado, nunca foram tão próximos, não é?
No olhar de abismo, d'um lugar que não era nem presente, nem passado..
ela disse: na realidade, foram tantos não-ditos, murmúrios silenciados e olhares velados, que esse passado ficou suspenso,
nunca acabado.
E suspenso numa realidade, ele não se assentou
E então ele pertence a dois mundos, ficou sem morada
Assim que, por vezes, o presente é passado...
e o passado é o presente que nunca se concretizou.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Labaredas

O sol do dia já havia cedido lugar à noite, mas a escuridão não conseguiu esconder o brilho daquela meia lua que cresceu no céu, iluminando todo o espaço no qual ela havia sentado. Ela, elle, tão comum que de fato lhe chamavam de aquela menina, mas ao mesmo tempo tão
única que poucos conseguiram penetrar por detrás do olhar incógnita que fascinava e causava certa inquietação.
Naquela noite, ela só queria ver o verde da mata que, à sua frente, queimou ardorosamente, até que seus próprios olhos viraram labaredas de fogo.
Foi aí que a lua feiticeira, repleta dos encantos d-ela, deixou-se cobrir pelo manto das pesadas nuvens negras. E o céu respondeu com fogo e água. Trovejou, relampejou. Mas ela nada via do dia claro que se formou em noite, tão cega das chamas daquela mata verde ao seu redor. Ela apenas sentia o início do frescor das gotas que delicadamente caiam do alto
e escorriam pelo seu corpo.
Foi aí que a lua feiticeira, repleta dos encantos d-ela, deixou-se cobrir pelo manto das pesadas nuvens negras. E o céu respondeu com fogo e água. Trovejou, relampejou. Mas ela nada via do dia claro que se formou em noite, tão cega das chamas daquela mata verde ao seu redor. Ela apenas sentia o início do frescor das gotas que delicadamente caiam do alto
e escorriam pelo seu corpo.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Em homenagem ao A. pela conversa de hoje.
Porque me permitiu, se não se importam, um link com o livro de P.
Nem a perfeição, nem tampouco a verdade existem.
Mas aí está o ponto legal (pelo menos eu me convenço disso).
Busco a perfeição, cada dia mais, mesmo sabendo que à ela não chegamos,
assim como a ciência busca a verdade, embora à ela apenas se aproxime.
Porque me permitiu, se não se importam, um link com o livro de P.
Nem a perfeição, nem tampouco a verdade existem.
Mas aí está o ponto legal (pelo menos eu me convenço disso).
Busco a perfeição, cada dia mais, mesmo sabendo que à ela não chegamos,
assim como a ciência busca a verdade, embora à ela apenas se aproxime.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Fome demais
E anda com tanta fome...
Fome de literatura, fome de poesia, fome de aventura e fome de melodia.
E anda com fome de partir, fome de viajar, fome de sentir, fome demais para acordar.
E anda com fome de se despir, de imaginar, de não controlar, de cair.
Fome de cair caindo, de deixar o vento segurar, o coração palpitar, o medo superar.
Fome dessa gravidade, que para sentir, não ter idade.
Fome de não querer apertar o botão, só quando quase atingir o chão.
E daí, fome de tocar a terra molhada, fome do sereno que cai durante a madrugada.
Fome de deitar na relva, sob a luz do luar. Fome de sentir na pele, fome de aliviar.
E essa fome de sonhar acordada, de olhar para o nada.
Fome demais, até ficar breve...
domingo, 17 de abril de 2011
“- Sabe.. eu ainda tenho vontade de viver aquela história de novo.”. Ela me disse.
.
- E por que não?
.
“- Ah.. já ficou no passado. Acho que agora eu poderia viver ela de uma forma mais madura. Com toda a podridão, se eu pudesse voltar atrás, ou melhor.. começar de novo.. Porque acho que hoje eu viveria sem aquela cegueira da paixão e, ainda assim, sedentamente, com uma sede de paixão sem fim.”.
terça-feira, 12 de abril de 2011
O funil(a)
Uma conversa a três a respeito, nos desculpem o pleonasmo, do funil que afunila. Que afunila cada vez mais, ao ponto de um dia, talvez à contragosto, não passar nem uma gota d'água rubra com gosto. Azeda, azeda essa ideia que de, tão só, evapora a gota que pelo funil não desce. Se desvanece. Conversam a música, o aroma e o sabor. Conversam a solidão, a ausência e a vontade de potência. Conversam sobre isso que é e não é. Sobre um futuro que, de tão longe, é sentido ao lado. O futuro que mora ao lado. Conversam sobre o que pode ser e o que virá a acontecer. E daí tentam transformar tudo o que falam no não entendível, no não audível, na falta. Pois a melodia invadiu e tornou tudo um vácuo, em espaço branco que, de tão branco, não é relativo e não se sabe branco.
segunda-feira, 7 de março de 2011

Não há coisa alguma que persista em todo o Universo. Tudo flui, e tudo só apresenta uma imagem passageira. O próprio tempo passa com um movimento contínuo, como um rio... O que foi antes já não é, o que não tinha sido é, e todo instante é uma coisa nova. Vês a noite, próxima do fim, caminhar para o dia, e à claridade do dia suceder a escuridão da noite... Não vês as estações do ano se sucederem, imatando as idades da nossa vida. Com efeito, a primavera, quando surge, é semelhante à criança nova... a planta nova, pouco vigorosa, rebenta em brotos e enche de esperança o agricultor. Tudo florece. O fértil campo resplandece com o colorido das flores, mas ainda falta vigor às folhas. Entra, então, a quadra mais forte e vigorosa, o verão: é a robusta mocidade, decunda e ardente. Chega, por sua vez, o outono: passou o fevor da mocidade, é a quadra da maturidade, o meio-termo entre o jovem e o velho; as têmporas esbranquecem. Vem, depois, o tristonho inverno: é o velho trôpego, cujos cabelos ou caíram como as folhas das árvores, ou, os que restaram, estão brancos como a neve dos caminhos. Também nossos corpos mudam sempre e sem descanso... E também a natureza não descansa e, renovada, entra outras formas nas formas das coisas. Nada morre no vasto mundo, mas tudo assume aspectos novos e variados... todos os seres têm sua origem noutros seres. Existe uma ave a que os fenícios dão o nome de fênix. Não se alimenta de grãos os ervas, mas das lágrimas do incenso e do suco da amônia. Quando completa cinco séculos de vida, constrói um ninho no alto de uma grande palmeira, feito de folhas de canela, do aromático nardo e da mirra avermelhada. Ali se acomoda e termina a vida entre perfumes. De suas cinzas, renasce um pequena fênix, que viverá outros cincos séculos... Asim, também é a natureza e tudo o que nela existe e persiste.
(Ovídio - Metamorfoses, de que eu aprendi a gostar com Pandora).
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
O SIGNO DA VIOLÊNCIA - Diário Catarinense do dia 7 de janeiro 2011
Como de costume, li os jornais do dia entre um e outro gole de café preto da manhã. E então percebo novamente aquilo que me assusta dia sim, dia também: as manchetes sobre violência, que reclamam cada vez mais repressão.
Ok, vá lá, todos queremos nos sentir seguros. Ocorre que se inverteu o sentido da terminologia segurança.
O editoral da página 10 diz: "A violência vai para onde vai o dinheiro e para onde há menos repressão".
Não seria mais correto dizer que a violência é a mesma face da moeda da desigualdade? E aqui não me refiro tão somente a desigualdade econômica, mas também à desigualdade política, social, de gênero e similares. Quanto maior o grau de desigualdade material em uma sociedade - como a sociedade estratificada brasileira, na qual a igualdade formal, ou seja, perante a lei, não obsta a manutenção e o crescimento da desigualdade - maior o grau da violência, seja ela simbólica ou física.
Daí que, ao invés de voltarmos ao contratualismo inglês de Locke e, como fazem muito bem alguns:
a) dividirmos o cidadão do 'meliante'/'indivíduo (não sujeito)'/ 'marginal';
b) dividirmos os espaços público do privado, sendo que no público devem transitar somente os cidadãos-sujeito, com toda a segurança que mereçem, ao contrário dos indivíduos-marginais, que devem ficar restritos ao âmbito privado e sobre quem deve recair a força repressiva.
Como foi dito: em Jurerê, durante o ano novo, também tinha bastante 'malaco'. Realmente, uma surpresa, deveriam ter ficado em casa.. Surprese de ouvir tamanha besteira, como se a praia, espaço público, fosse propriedade privada do 'sujeito'. Que tal nos preocuparmos também com uma maior igualdade material? Com certeza a violência não seria tão alarmante.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Hay hombres que luchan un dia y son buenos.
Hay otros que luchan un año y son mejores.
Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos.
Pero hay los que luchan toda la vida: esos son los imprescindibles.
(Bertolt Brecht)
E aí então, quotando Fernando Pessoa,
em livro do desassossego,
diria que estamos cansados de termos sonhado,
pero nunca cansados de sonhar...
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Seguimos deseando rosas!

"Que yo sepa, nadie está usando los elementos del aire que dan dirección y movimiento a nuestras vidas . Sólo los asesinos parecen extraer de la vida, en grado satisfatório lo que le aportan. La época exige violencia, pero sólo estamos obteniendo explosiones abortivas. Las revoluciones quedan sesgadas en flor, o bien triunfan demasiado deprisa. La pasión se consume rápidamente. Los hombres recurren a las ideas comme d'habitude. No se propone nada que pueda durar más de veinticuatro horas. Estamos vivendo un millón de vidas en el espacio de una generación. Obtenemos más del estudio de la entomología, o de la vida en las profundidades marinas, o de la actividad celular..."
.
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(Henry Miller, Trópico de Câncer)
terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Passamos boa parte do tempo desejando uma oportunidade para fazer valer a concepção do bom e do justo que assumimos e continuamos a assumir no decorrer da nossa vida. Alguns atuam. Outros apenas passivamente esperam o dia chegar. E aí, quando temos a oportunidade de realmente decidir, cambaleamos. Afinal, parte de um ponto zero é sempre um risco. Podemos acertar, mas também, quando caminhamos, podemos tropeçar e cair. Enfim, podemos errar. Mais do que isso, nossa concepção do bom e justo pode ser (e provavelmente será) diferente para as outras pessoas. Então nossos acertos podem ser tidos como meros fracassos, um “deu errado”. Mas, se no íntimo mantivermos sempre essa vontade-projeto libertário, de fazer o bem, de emancipação, já partiremos, desde o princípio, do certo, do bom e do justo.
E posso dizer que me orgulho de quem, dessa maneira, deixa o coração e o amor falar por si só, de quem mantem o coração puro, de quem não deixa que ele se corrompa. Além disso, de quem olha para frente, mesmo sabendo que existem milhares de pequenas pedras no trajeto, mesmo sabendo que a estrada de terra é cortada por muitos troncos caídos, mas também por límpidas aguas de riacho e uma boa sombra da copa das árvores sólidas que permitem um novo tomar fôlego quando se cansou. Seguir o caminho do coração é sempre seguir o caminho mais difícil e turbulento, mas também é o único caminho que permite ascender à verdadeira felicidade.
Sempre existirá uma luz no final do túnel, um farol em meio à imensidão do oceano, um ombro amigo para quem chora, a luz das estrelas por dentre as folhagens das matas verdes de brado alto. Finalizo o post com um incentivo e com toda a minha força de ajuda para os puros do coração darem um passo de cada vez, mas seguirem em frente, sem temor, e continuem a acreditar em si.
Devo dizer que, por um (espero eu curto) espaço de tempo, e por motivos pessoais, me silenciarei para preservar minha intimidade e a daqueles a quem amo. Continuarei, obviamente, a falar pelas vozes de outros e outras, por seus escritos que falam por si só, que falam por mim.
Devo dizer que, por um (espero eu curto) espaço de tempo, e por motivos pessoais, me silenciarei para preservar minha intimidade e a daqueles a quem amo. Continuarei, obviamente, a falar pelas vozes de outros e outras, por seus escritos que falam por si só, que falam por mim.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
L.ARTE: com saudades e carinho
Querido, você me dizer que eu te hizo entender que sabia el significado de saudades, pero que nunca lo habia sentido. Pero eu sinto. E como tem sido, ni espanõl, ni português. E repito lo que me foi dito, dentre los interditos, es increible las intuiciones que nos atraviesan, nos adivinamos y nos esperamos sin palabras como la Maga y Cortazar en Paris. Filho do mesmo pai, carrega consigo a mesma pequena medalha do peito, vencedor de demanda. Rezaste a los doce dioses del candomble que muevan los busios del destino. Agora eu rezo aos orixás para que te ajudem. Meu coração fala com amor. Paz, amor e esperança.
Beso en su corazon, daquela que era chamada de Maga.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Um pé descalço
Decidi passar a tarde chuvosa lendo Pablo Gentili ao invés de me deitar no sofá para ver o filme que meu pai me trouxe ontem e que me animava muito, principalmente depois das várias indicações das amigas. Algo no livro me chamava, gritava pela minha presença. E assim, sem qualquer dúvida, decidi trocar a gargalhada certa, mas muda, por lágrimas de desespero profundo e alegria de força. Pablo começa um artigo mágico ao descrever seu passeio com o filho ao supermercado e conta que, ao ver um dos sapatos do bebe quase cair, retirou-o. Mateo ficou sentado no carrinho com apenas um sapato, apenas um pé coberto. E assim, ao andar pela rua, em todos os momentos Pablo foi alertado de que seu filho havia perdido um sapatinho. O contentamento do cuidado cedeu lugar, em pouco tempo, a um sentimento de tristeza. Na cidade do Rio de Janeiro, assim como em Florianópolis, a miséria convive com o luxo e a ostentação. O pé descalço - apenas um pé descalço - de um menino de classe média é motivo para uma excessiva preocupação, ao passo em que as milhares de crianças de dois pés descalços são esquecidas.
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"A possibilidade de reconhecer ou perceber acontecimentos é uma forma de definir os limites sempre arbitrários entre o 'normal' e o 'anormal', o aceito e o negado, o permitido e o proibido. É por isso que, enquanto é 'anormal' que um menino de classe média ande descalço, é absolutamente 'normal' que centenas de meninos de rua andem sem sapatos, perambulando pelas ruas de Copacabana pedindo esmolas.
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A 'anormalidade' torna os acontecimentos visíveis, ao mesmo tempo em que a 'normalidade' costuma ter a capacidade de ocultá-los. O 'normal' se torna cotidiano. E a visibilidade do cotidiano se desvanece (insensível e indiferente) como produto de sua tendencial naturalização.
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Em nossas sociedades fragmentadas, os efeitos da concentração de riquezas e a ampliação de misérias, diluem-se diante da percepção cotidiana, não somente como conseqüência da frivolidade discursiva dos meios de comunicação de massas (com sua inesgotável capacidade de banalizar o que é importante e sacralizar o que é trivial), mas também pela própria força adquirida por tudo aquilo que se torna cotidiano; ou seja, o 'normal'.
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Para dizer sem muitos rodeios, o que pretendo afirmar é que, hoje, em nossas sociedades dualizadas, a exclusão é invisível aos nossos olhos. Certamente, a invisibilidade é a marca mais visível dos processos de exclusão neste milênio que começa. A exclusão e seus efeitos estão aí. São evidências cruéis e brutais mostradas nas esquinas, comentadas pelos jornais, exibidas nas telas. Entretanto, a exclusão parece ter perdido a capacidade de produzir espanto e indignação em boa parte da sociedade. Nos 'outros' e em 'nós mesmos'.
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A seletividade do olhar cotidiano é implacável: dois pés descalços não são dois pés descalços. Um é um pé que perdeu o sapato. O outro é um pé que, simplesmente, não existe. Nunca existiu nem existirá. Um é um pé de uma criança. O outro é o pé de ninguém."
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(Pablo Gentili e Chico Alencar)
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Dois pés descalços são o símbolo da ameaça que se manifesta no silêncio do que está oculto, do que é ignorado e, ao mesmo tempo, temido como efeito do desespero e da pobreza, midiaticamente posto em índice de marginalidade e criminalidade.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
BEIJÓDROMO NA UNB
Beijódromo faz parte de um memorial na UnB; inauguração contou com presença de Lula
http://www.midianews.com.br/?pg=noticias&cat=8&idnot=36945 R7
Um espaço de convivência, usado para descanso e para estudantes namorarem. Idealizado como o encontro perfeito entre sentimento e razão, o Memorial Darcy Ribeiro, construído na UnB (Universidade de Brasília), não poderia ter nome melhor: beijódromo. O lugar foi inaugurado nesta segunda-feira (6) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O prédio vai abrigar todo o acervo do antropólogo e educador Darcy Ribeiro, que também fundou a universidade. O pitoresco apelido foi dado para um dos anfiteatros do edifício, que é dedicado aos estudantes. O presidente da Fundação Darcy Ribeiro, Paulo Ribeiro, lembrou que o antropólogo tinha apenas 34 anos quando começou a projetar a UnB. Depois de pronta, ele e o arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, teriam pedido à universidade uma área que abrigasse toda a sua obra - já naquela época era previsto o beijódromo. - Na companhia de Lelé, [ambos] sonharam e projetaram o beijódromo em cada detalhe. Darcy desejava que os alunos, depois das aulas, pudessem namorar e ver as estrelas. O prédio do beijódromo tem dois andares, em uma área total de 2.000 metros quadrados. Por fora, a construção lembra uma mistura de nave espacial e oca indígena. No interior, há um espelho d'água, salas de aula e uma biblioteca com mais de 30 mil exemplares que pertenciam ao antropólogo e à sua primeira esposa, Berta Gleizer Ribeiro. O presidente Lula, que pariticpou da inauguração, disse que Darcy foi um "pensador ousado e com coragem de ter ideias próprias sem pedir licença". - O beijódromo, com esse nome tão pitoresco [...] reflete também o lado humano de Darcy Ribeiro. E entre os arquitetos brasileiros, nenhum melhor do que Lelé, pela sua história ligada tanto a Darcy quando a UnB para dar a forma definitiva ao sonho do antropólogo que olhava para os índios imaginando que o Brasil do futuro poderia aprender com eles. A obra custou R$ 8,5 milhões sendo R$ 1,7 milhões financiados pela Fundação Darcy Ribeiro e os R$ 6,8 milhões restantes pelo governo federal. O complexo no qual os quase 29 mil alunos da universidade poderão "se pegar" deveria ter sido entregue no dia 26 de outubro, quando Darcy completaria 88 anos, mas atrasos adiaram a inauguração.
Um espaço de convivência, usado para descanso e para estudantes namorarem. Idealizado como o encontro perfeito entre sentimento e razão, o Memorial Darcy Ribeiro, construído na UnB (Universidade de Brasília), não poderia ter nome melhor: beijódromo. O lugar foi inaugurado nesta segunda-feira (6) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O prédio vai abrigar todo o acervo do antropólogo e educador Darcy Ribeiro, que também fundou a universidade. O pitoresco apelido foi dado para um dos anfiteatros do edifício, que é dedicado aos estudantes. O presidente da Fundação Darcy Ribeiro, Paulo Ribeiro, lembrou que o antropólogo tinha apenas 34 anos quando começou a projetar a UnB. Depois de pronta, ele e o arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, teriam pedido à universidade uma área que abrigasse toda a sua obra - já naquela época era previsto o beijódromo. - Na companhia de Lelé, [ambos] sonharam e projetaram o beijódromo em cada detalhe. Darcy desejava que os alunos, depois das aulas, pudessem namorar e ver as estrelas. O prédio do beijódromo tem dois andares, em uma área total de 2.000 metros quadrados. Por fora, a construção lembra uma mistura de nave espacial e oca indígena. No interior, há um espelho d'água, salas de aula e uma biblioteca com mais de 30 mil exemplares que pertenciam ao antropólogo e à sua primeira esposa, Berta Gleizer Ribeiro. O presidente Lula, que pariticpou da inauguração, disse que Darcy foi um "pensador ousado e com coragem de ter ideias próprias sem pedir licença". - O beijódromo, com esse nome tão pitoresco [...] reflete também o lado humano de Darcy Ribeiro. E entre os arquitetos brasileiros, nenhum melhor do que Lelé, pela sua história ligada tanto a Darcy quando a UnB para dar a forma definitiva ao sonho do antropólogo que olhava para os índios imaginando que o Brasil do futuro poderia aprender com eles. A obra custou R$ 8,5 milhões sendo R$ 1,7 milhões financiados pela Fundação Darcy Ribeiro e os R$ 6,8 milhões restantes pelo governo federal. O complexo no qual os quase 29 mil alunos da universidade poderão "se pegar" deveria ter sido entregue no dia 26 de outubro, quando Darcy completaria 88 anos, mas atrasos adiaram a inauguração.
Recebido de Eduardo Rocha www.casawaratgoias.blogspot.com
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
EDUARDO GALEANO: el libro de los abrazos

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"Sí, sí, por lastimado y jodido que una esté, siempre puede uno encontrar contemporáneos en cualquier lugar del tiempo y compatriotas en cualquier lugar del mundo. Y cada vez que eso ocurre, y mientras eso dura, uno tiene la surte de sentir que es algo en la infinita soledad del universo: algo más que una ridícula mota de polvo, algo más que un fugaz momentito."
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